Neste nosso mundo de desperdício e gastos desmesurados, inesperadamente alguém faz a diferença.
No Festival de Curtas Metragens de 2008, realizado em NY, eis o vencedor:
Mankind is no Island
custo: 40 dólares
filmado com um telemóvel por Jason van Genderen
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
sexta-feira, 27 de março de 2009
domingo, 22 de março de 2009
A VIAGEM IMAGINÁRIA
1.
Espera-me onde o sol é de oiro
e a planície aguarda.
A terra é quente
e o silêncio
a impressão pausada das coisas.
O dia nasce novo
e a magia cresce.
Tudo ri.
A brancura dança nas coisas
que são luz
abrem o espaço.
Deslizam figuras
com a lentidão de quem sabe a vida
e a sorve no calor
que vem do chão.
2.
Alguém escuta
o vento ondula
e acompanha o vai vem
do corpo que dança.
O sussurro das folhas
o hálito da terra
a vida que entra quente
lenta
no meu corpo.
3.
Corro com os olhos a planície
deixo que o calor me amoleça
os braços
os olhos.
Doce cansaço da vida!
Tudo é dormente sob o sol.
Olho-te.
Segues os sons da terra
O corpo balança.
São sonolências
na lentidão do dia.
4.
Salto.
É irresistível o apelo.
O balanço sobe-me no corpo
os teus olhos riem.
Somos de novo crianças.
A tua mão segue o meu corpo
um frenesim solta-se
vai-se alentando
e apaga-se.
Numa exaustão quieta
adormecemos.
5.
O sol está alto
as ruas desertas. Os sons
arrastam-se graves.
Na cidade cálida, alguém
toca ainda
em louvor a nós
ao abraço que somos
à vida que seguramos
preservando a inocência e a ternura
que nos damos.
6.
O pensamento
foge-nos de novo
esparso entre a profusão de estímulos.
Cada um agarra as memórias
solta-as
para não morrerem.
Abro a janela e lanço-as
devolvo-as à terra onde sempre renascem
Tudo é cor.
7.
Adormeço no teu colo.
O mundo vai-se apagando.
O sol
queima os pensamentos.
O silêncio… o silêncio…
repousa-nos na voz
aquieta.
Na paz é latente o desejo.
A suspensão do mundo é uma dádiva,
quietude que dissipa no todo.
O ser está aí.
8.
Acordo e estás a meu lado.
A frescura da manhã sorri.
Saio.
Os meus passos tocam o caminho
e são leves
não ouso perturbar o ritual da manhã
chegando.
As figuras são mais soltas
dançam na transparência do dia noviço
cheio de promessas.
9.
Vozes distantes fazem a magnitude
do nosso silêncio.
Estar contigo na palavra essencial
estar apenas
entrar nos labirintos e perder-me sabiamente
nas coisas.
Tudo é nada além do encontro.
Somos por momentos
o que queremos e sabemos ser.
São fortes os encontros
e tão frágeis!
10.
Tudo é permitido então.
A vida é nossa
somos o mundo no momento da criação
tudo por dizer, construir, ser.
A luz faz-se no eterno recomeço.
Guardemos a leveza da alegria.
11.
Acorda!
O mundo vem aí
não estamos armados
somos apenas água que dissolve todas as angústias
purificamos o mundo que nos atravessa
unimos as terras
inundamos as coisas
com a força do nosso silêncio.
Porque só no silêncio somos.
Ninguém nos levará o que inevitavelmente é.
Amanhã é já hoje
e ainda ontem.
Fomos para sempre alguma coisa.
1.
Espera-me onde o sol é de oiro
e a planície aguarda.
A terra é quente
e o silêncio
a impressão pausada das coisas.
O dia nasce novo
e a magia cresce.
Tudo ri.
A brancura dança nas coisas
que são luz
abrem o espaço.
Deslizam figuras
com a lentidão de quem sabe a vida
e a sorve no calor
que vem do chão.
2.
Alguém escuta
o vento ondula
e acompanha o vai vem
do corpo que dança.
O sussurro das folhas
o hálito da terra
a vida que entra quente
lenta
no meu corpo.
3.
Corro com os olhos a planície
deixo que o calor me amoleça
os braços
os olhos.
Doce cansaço da vida!
Tudo é dormente sob o sol.
Olho-te.
Segues os sons da terra
O corpo balança.
São sonolências
na lentidão do dia.
4.
Salto.
É irresistível o apelo.
O balanço sobe-me no corpo
os teus olhos riem.
Somos de novo crianças.
A tua mão segue o meu corpo
um frenesim solta-se
vai-se alentando
e apaga-se.
Numa exaustão quieta
adormecemos.
5.
O sol está alto
as ruas desertas. Os sons
arrastam-se graves.
Na cidade cálida, alguém
toca ainda
em louvor a nós
ao abraço que somos
à vida que seguramos
preservando a inocência e a ternura
que nos damos.
6.
O pensamento
foge-nos de novo
esparso entre a profusão de estímulos.
Cada um agarra as memórias
solta-as
para não morrerem.
Abro a janela e lanço-as
devolvo-as à terra onde sempre renascem
Tudo é cor.
7.
Adormeço no teu colo.
O mundo vai-se apagando.
O sol
queima os pensamentos.
O silêncio… o silêncio…
repousa-nos na voz
aquieta.
Na paz é latente o desejo.
A suspensão do mundo é uma dádiva,
quietude que dissipa no todo.
O ser está aí.
8.
Acordo e estás a meu lado.
A frescura da manhã sorri.
Saio.
Os meus passos tocam o caminho
e são leves
não ouso perturbar o ritual da manhã
chegando.
As figuras são mais soltas
dançam na transparência do dia noviço
cheio de promessas.
9.
Vozes distantes fazem a magnitude
do nosso silêncio.
Estar contigo na palavra essencial
estar apenas
entrar nos labirintos e perder-me sabiamente
nas coisas.
Tudo é nada além do encontro.
Somos por momentos
o que queremos e sabemos ser.
São fortes os encontros
e tão frágeis!
10.
Tudo é permitido então.
A vida é nossa
somos o mundo no momento da criação
tudo por dizer, construir, ser.
A luz faz-se no eterno recomeço.
Guardemos a leveza da alegria.
11.
Acorda!
O mundo vem aí
não estamos armados
somos apenas água que dissolve todas as angústias
purificamos o mundo que nos atravessa
unimos as terras
inundamos as coisas
com a força do nosso silêncio.
Porque só no silêncio somos.
Ninguém nos levará o que inevitavelmente é.
Amanhã é já hoje
e ainda ontem.
Fomos para sempre alguma coisa.
Foram-se as palavras.
Do tempo em que só elas eram
soltou-se o teu corpo no meu colo.
Nas madrugadas
um rio ilude a solidão deste regresso
ilusório lugar
corrosão lenta da entrega.
O abismo
surpreende nos teus olhos
escapas
desfazes-me o pensamento
com um beijo.
Tenaz
esta dúvida revolve as horas
os abandonos que se seguem
os pequenos desencontros do que dizes
sem mentir.
Várias formas de amar tem o teu rosto
nem todas luz
nem todas sombra.
Do tempo em que só elas eram
soltou-se o teu corpo no meu colo.
Nas madrugadas
um rio ilude a solidão deste regresso
ilusório lugar
corrosão lenta da entrega.
O abismo
surpreende nos teus olhos
escapas
desfazes-me o pensamento
com um beijo.
Tenaz
esta dúvida revolve as horas
os abandonos que se seguem
os pequenos desencontros do que dizes
sem mentir.
Várias formas de amar tem o teu rosto
nem todas luz
nem todas sombra.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Lembrei-me de ti na esquina do jacarandá
da manhã em que te sumias para dentro da memória
e fomos fingindo
que nada estava a acontecer.
Na tua mão um livro em derradeiro afago.
Uma breve luz no olhar.
Falaste de Caravaggio
como falavas dos Lusitanos
descascando batatas na cozinha
ou da perspectiva
no café da Praça da Batalha.
E eu debruçada na tua mesa vendo-te desenhar.
Pelo jardim que de repente me invadiu
correram os meus passos de criança,
olhos feitos água do frio matinal,
agora água de outro frio.
No baloiço onde me crucificaste numa foto
os braços abertos esperavam, esperaram
esperam ainda...
Na memória
interceptaram-se navios e ausências
o reencontro tardio dos afectos.
E a automotora corria a escuridão da noite
Sobrevoei esta cidade nem tua nem minha
e outras
por dentro de uma espessura sem palavras.
Revi horas enxertadas num tempo negado
a construirem imaginários de branco e luz.
E a tua mão sobre a minha desenhava labirintos
Diz-me
onde de enredou a palavra que não dissemos
e porque me esqueci da certeza do teu colo.
Algo sobrava sempre entre nós numa dor aflita.
E era sempre de manhã
e as mãos no baloiço... os braços esperando...
E eu pousava três rosas sobre as tuas mãos
da manhã em que te sumias para dentro da memória
e fomos fingindo
que nada estava a acontecer.
Na tua mão um livro em derradeiro afago.
Uma breve luz no olhar.
Falaste de Caravaggio
como falavas dos Lusitanos
descascando batatas na cozinha
ou da perspectiva
no café da Praça da Batalha.
E eu debruçada na tua mesa vendo-te desenhar.
Pelo jardim que de repente me invadiu
correram os meus passos de criança,
olhos feitos água do frio matinal,
agora água de outro frio.
No baloiço onde me crucificaste numa foto
os braços abertos esperavam, esperaram
esperam ainda...
Na memória
interceptaram-se navios e ausências
o reencontro tardio dos afectos.
E a automotora corria a escuridão da noite
Sobrevoei esta cidade nem tua nem minha
e outras
por dentro de uma espessura sem palavras.
Revi horas enxertadas num tempo negado
a construirem imaginários de branco e luz.
E a tua mão sobre a minha desenhava labirintos
Diz-me
onde de enredou a palavra que não dissemos
e porque me esqueci da certeza do teu colo.
Algo sobrava sempre entre nós numa dor aflita.
E era sempre de manhã
e as mãos no baloiço... os braços esperando...
E eu pousava três rosas sobre as tuas mãos
domingo, 16 de novembro de 2008
Fluía no seu passo o sul
os odores
a luz que expande o brilho do silêncio
o desejo absoluto
pela procura insistente de ninguém.
Pausava a palavra no tempo de pensar
onde o mundo se faz habitável pela sua negação.
Fluía no seu olhar
a nostalgia de um tempo que se aguarda.
O corpo aquietado, caminhando ruas de silêncio,
nascia em cada mancha de luz sobre a parede.
Olhamos brevemente o sítio onde a ternura nasce
sem cuidar
que o resto do mundo nunca se ausentara.
os odores
a luz que expande o brilho do silêncio
o desejo absoluto
pela procura insistente de ninguém.
Pausava a palavra no tempo de pensar
onde o mundo se faz habitável pela sua negação.
Fluía no seu olhar
a nostalgia de um tempo que se aguarda.
O corpo aquietado, caminhando ruas de silêncio,
nascia em cada mancha de luz sobre a parede.
Olhamos brevemente o sítio onde a ternura nasce
sem cuidar
que o resto do mundo nunca se ausentara.
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