Natal de quê? De quem? Daqueles que o não têm? Dos que não são cristãos? Ou de quem traz às costas as cinzas de milhões? Natal de paz agora nesta terra de sangue? Natal de liberdade num mundo de oprimidos? Natal de uma justiça roubada sempre a todos? Natal de ser-se igual em ser-se concebido, em de um ventre nascer-se, em por de amor sofrer-se, em de morte morrer-se, e de ser-se esquecido? Natal de caridade, quando a fome ainda mata? Natal de qual esperança num mundo todo bombas? Natal de honesta fé, com gente que é traição, vil ódio, mesquinhez, e até Natal de amor? Natal de quê? De quem? Daqueles que o não têm, ou dos que olhando ao longe sonham de humana vida um mundo que não há? Ou dos que se torturam e torturados são na crença de que os homens devem estender-se a mão? Jorge de Sena
Ir de férias é muito bom, mas regressar a casa e retomar a tranquilidade de uma leitura, também.
"Quand on est vraiment dans l'écoute, on est au plus près de l'expérience de l'unicité. En l'absence du moi possesseur, la vie se révèle telle quelle. La liberté se trouve là, dans la fluidité, dans l'absence à son histoire, à son image... (...) Aucun être humain, quel qu'il soit, ne peut expliquer ce que le silence révèle."
Have you learn'd lessons only of those who admired you, and were tender with you, and stood aside for you? Have you not learn'd great lessons from those who reject you, and brace themselves against you? or who treat you with contempt, or dispute the passage with you?
"Si le style Renaissance est né en Italie, c'est que tous les facteurs s'y sont trouvés réunis par des circonstances historiques (...) (..) l'eau, il faut qu'elle soit partout présente (...). On pourra la trouver dans des grottes «tapissées de pierre ponce et de coquillages disposés au hasard, les uns à l'envers, les autres entrouverts et en saillie», mais on pourra aussi la «faire jaillir de différents endroits quand on s'y attend le moins». De ces recommandations on peut retenir trois principes qui vont inspirer des jardins de la Renaissance: la géometrisation des formes végetales et des strutures, l'omniprésence de l'eau librement projetée dans les airs ou filtrant sur les parois de grottes et la référence constante aux usages des Anciens."
Enviaram-me esta relíquia! Se é ou não o mais antigo, não fui investigar, mas fez-me lembrar um certo embarque no aeroporto de Catânia onde o caos era assombrosamente controlado pelos funcionários do aeroporto - que mais parecia uma gare de combóios de província. Há coisas absolutamente inesquecíveis!
«C'est au cour de la première moitié du XXI siècle que des personnalités aussi marquantes et aussi oposées que Saint Bernard et Abélard provoquem de profondes commotions dans la societée. Dans le débat qui les oppose apparaissent les modes de representation de la nature. Tout en lançant un programme de mise en valeur des terres, Saint Bernard maintient solidement l'autorité des symboles sur le régne vegetále.(...) Abélard au contraire se dégage de la symbolique et considere la nature comme une entité qui doit être vue en soi et comprise dans son mode de fonctionnement propre. (...) Abélard de Bath, traducteur des savants arabes, déclare: «Il faut découvrir les lois internes des choses; c'est par là que nous sommes des hommes». (...) Pourtant, même en cette époque où la nature commence à faire l'object d'une approche guidée par la geometrie (...) les modes de représentation des arbres, des fleurs et des animaux demeurent très largement symboliques ou décoratifs. (...) Sans doute faut-il expliquer par ce mode de pensée le fait que les architectes du XIIe n'aient pas tracé de jardins comparables en audace et en beauté aux cathédrales qu'ils élevaient alors. Leur jardin, c'est le vitrail. Dans les mentalités du temps, la nature parle par la lettre des textes sacrés ou par les métaphores du sermon. Quand on la représente pour elle même, c'est dans l'église, sur son pavement où apparaissent les labyrinthes qui figurent l'univers ou le périple de Terre sainte ou dans son architecture où les vitraux tiennent une place sans cesse grandissante (...).
«L'attention portée à tout ce qui concerne l'irrigation marque la conception des premiers grands jardins de l'Islam. (...) (...)dans une partie du monde où le sable et la soif sont le lot quotidien, le jardin est l'oasis où la nature comble une sensualité qui n'a rien d'illicite.(...) La sourate 56 lie le paradis au jardin et l'enfer au desert.(...) Les jardins des capitales abbassides construisirent de subtiles variations sur des figures simples de la geometrie des origines. (...)»
«Dans le labyrinthe, on ne se perd pas, on se trouve. Dans le labyrinthe, on ne rencontre pas le Minotaure. Dans le labyrinthe, on se rencontre soi-même.» Herman Kern
POLO: - ...Talvez este jardim só exponha os seus terraços para o lago da nossa mente... KUBLAI: - ...E por mais longe que nos levem as nossas atribuladas empresas de guerreiros e de mercadores, ambos guardamos dentro de nós esta sombra silenciosa, esta conversa pausada, esta noite sempre igual. POLO: - A menos que se dê a hipótese oposta: de os que se afadigam nos acampamentos e nos portos só existirem porque pensamos neles nós os dois, encerrados entre estas sebes de bambu, imóveis desde sempre. KUBLAI: - De que não existam a fadiga, os berros, as pragas, o fedor, mas só esta planta de azálea. POLO: - E de que os carregadores, os calceteiros, os varredores, as cozinheiras que limpam as vísceras das galinhas, as lavadeiras ajoelhadas sobre a pedra, as mães de família que mexem o arroz aleitando os recem-nascidos, só existam porque nós pensamos neles. KUBLAI: - Para dizer a verdade, eu nunca penso neles. POLO: - Então não existem. KUBLAI: - Essa conjectura não me parece que nos convenha. Sem eles nunca poderíamos ficar a balançar encasulados nas nossas camas de rede. POLO: - Então a hipótese é de excluir. Portanto será verdadeira a outra: de que existam eles e não nós. KUBLAI: - Assim demonstrámos que se nós existíssemos, não existiríamos. POLO: - De facto, aqui estamos.
"Ao fundar um rosto, eu, que sou escultor, fundo uma coacção. Toda a estrutura realizada é coacção. Para proteger aquilo que agarro, rodeio-o de um punho. Não me fales da liberdade das palavras de um poema. Eu submeti-as umas às outras de acordo com determinada ordem, que é minha. Pode ser que deitem o meu templo abaixo para utilizarem as pedras num outro templo. Há mortes e nascimentos. Mas não me fales da liberdade das pedras. Porque então deixa de haver templo. Eu não compreendo como se distingue a liberdade das coacções. Quanto mais estrada eu traçar, mais liberdade tens de escolher. Ora, cada estrada é uma coacção, pois ponho barreiras a delimitá-las lateralmente. Mas a que chamas tu liberdade, se não houver um número de estradas que te permita escolher? Chamas liberdade ao direito de errar no vazio? Terás tanto mais liberdade quanto maior for o número de vias a coagir-te."
"Se fosses meu filho, Gherardo, eu não te amaria mais, mas não teria que perguntar-me porquê. Toda a minha vida procurei respostas a perguntas que talvez não tenham resposta e perscrutei o mármore como se a verdade se encontrasse no coração das pedras, e espalhei as cores para pintar muralhas como se se tratasse de fixar acordes sobre um enorme silêncio. Tudo se cala, sabes, até a nossa alma - ou então somos nós que não ouvimos."
It's true that all the men you knew were dealers who said they were through with dealing Every time you gave them shelter I know that kind of man It's hard to hold the hand of anyone who is reaching for the sky just to surrender, who is reaching for the sky just to surrender. And then sweeping up the jokers that he left behind you find he did not leave you very much not even laughter Like any dealer he was watching for the card that is so high and wild he'll never need to deal another He was just some Joseph looking for a manger He was just some Joseph looking for a manger
And then leaning on your window sill he'll say one day you caused his will to weaken with your love and warmth and shelter And then taking from his wallet an old schedule of trains, he'll say I told you when I came I was a stranger I told you when I came I was a stranger.
But now another stranger seems to want you to ignore his dreams as though they were the burden of some other O you've seen that man before his golden arm dispatching cards but now it's rusted from the elbows to the finger And he wants to trade the game he plays for shelter Yes he wants to trade the game he knows for shelter.
Ah you hate to see another tired man lay down his hand like he was giving up the holy game of poker And while he talks his dreams to sleep you notice there's a highway that is curling up like smoke above his shoulder. It is curling just like smoke above his shoulder.
You tell him to come in sit down but something makes you turn around The door is open you can't close your shelter You try the handle of the road It opens do not be afraid It's you my love, you who are the stranger It's you my love, you who are the stranger.
Well, I've been waiting, I was sure we'd meet between the trains we're waiting for I think it's time to board another Please understand, I never had a secret chart to get me to the heart of this or any other matter When he talks like this you don't know what he's after When he speaks like this, you don't know what he's after.
Let's meet tomorrow if you choose upon the shore, beneath the bridge that they are building on some endless river Then he leaves the platform for the sleeping car that's warm You realize, he's only advertising one more shelter And it comes to you, he never was a stranger And you say ok the bridge or someplace later.
And then sweeping up the jokers that he left behind ...
No segundo em que todas as transparências acontecem um magma latente explode enche as fendas profundas do recalcamento petrifica por momentos o fluir que logo se solta em pujança nova. Insubmissões que se transportam do fundo da infância desfiles de sensações acauteladas marés cheias de azul coisas de nada tudo estilhaça em rupturas inevitáveis em amanheceres de gestos insensatos densos de ser. Que importam então perdas ou ganhos desamparos, solidões se enquanto isso redescobrimos o rito das primaveras?
Ao fim de três dias o meu lírio morreu. Ao fim de três dias nasceu o terceiro. É pequeno, nada exuberante, mas tem o perfume das manhãs. Como isso só fica na memória, não o fotografei. Chamei-lhe Alvorada.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
O meu primeiro lírio nasceu esta noite!
O seu crescimento desmesurado ameaçava ser o seu fim. Agitado, pelo vento forte da tarde, inclinava-se sobre o abismo. Ia-o olhando, de soslaio, enquanto trabalhava. Mas aguentou-se. Ficou deitado sobre a borda da floreira. Ainda há umas horas era altivo como a rosa do Princepezinho.
À noite decidi-me e cortei-o Mal por mal...
Esqueci-me de dizer que tenho outro lírio, ou melhor, outra. Gosta de brincar com as plantas, por isso, o lírio - vou chamar-lhe azul para se distinguir da Lírio cinzenta - ficou na casa de banho, a salvo.
De manhã, quando abri a porta, um grande sorriso azul esperava-me.