terça-feira, 27 de julho de 2010

Liberdade

"Ao fundar um rosto, eu, que sou escultor, fundo uma coacção. Toda a estrutura realizada é coacção. Para proteger aquilo que agarro, rodeio-o de um punho. Não me fales da liberdade das palavras de um poema. Eu submeti-as umas às outras de acordo com determinada ordem, que é minha.
Pode ser que deitem o meu templo abaixo para utilizarem as pedras num outro templo. Há mortes e nascimentos. Mas não me fales da liberdade das pedras. Porque então deixa de haver templo.
Eu não compreendo como se distingue a liberdade das coacções. Quanto mais estrada eu traçar, mais liberdade tens de escolher. Ora, cada estrada é uma coacção, pois ponho barreiras a delimitá-las lateralmente. Mas a que chamas tu liberdade, se não houver um número de estradas que te permita escolher? Chamas liberdade ao direito de errar no vazio? Terás tanto mais liberdade quanto maior for o número de vias a coagir-te."

Cidadela, A. de Saint-Exupéry

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