Quatro horas soltas pela noite.
O teu ar de puto alegre rouba-me ao Proust
com quem brinco ao jogo da memória.
Tardio, um melro canta uma janela,
por onde entravam noites de cheiro a goivo
e narrativa
de uma avó-menina no duplo entardecer.
Um peitoril separava-me do mundo...lá
onde tudo acontecia.
Esperançava na vida, então,
sem nada saber dela.
Inventava pessoas
paragens onde a luz não se apagava nunca.
O silêncio colhia-se da terra
lugar de espanto,
origem dos momentos que se entalham na memória
como pequenas farpas despertantes.
Já eras aí,
como a semente que grela fora do rego
e se transplanta sem razão
e se acoberta
para termos o que olhar sempre que a vida dói.
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