segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Quatro horas soltas pela noite.
O teu ar de puto alegre rouba-me ao Proust
com quem brinco ao jogo da memória.
Tardio, um melro canta uma janela,
por onde entravam noites de cheiro a goivo
e narrativa
de uma avó-menina no duplo entardecer.
Um peitoril separava-me do mundo...lá
onde tudo acontecia.
Esperançava na vida, então,
sem nada saber dela.
Inventava pessoas
paragens onde a luz não se apagava nunca.
O silêncio colhia-se da terra
lugar de espanto,
origem dos momentos que se entalham na memória
como pequenas farpas despertantes.


Já eras aí,
como a semente que grela fora do rego
e se transplanta sem razão
e se acoberta
para termos o que olhar sempre que a vida dói.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Sorrimos, eu e o gato...

Neste nosso mundo de desperdício e gastos desmesurados, inesperadamente alguém faz a diferença.

No Festival de Curtas Metragens de 2008, realizado em NY, eis o vencedor:

Mankind is no Island
custo: 40 dólares
filmado com um telemóvel por Jason van Genderen

sexta-feira, 27 de março de 2009

Foto de Hans Silvester













In: As Tribus de l'Omo (power point)

domingo, 22 de março de 2009

A VIAGEM IMAGINÁRIA

1.
Espera-me onde o sol é de oiro
e a planície aguarda.
A terra é quente
e o silêncio
a impressão pausada das coisas.
O dia nasce novo
e a magia cresce.
Tudo ri.
A brancura dança nas coisas
que são luz
abrem o espaço.
Deslizam figuras
com a lentidão de quem sabe a vida
e a sorve no calor
que vem do chão.


2.
Alguém escuta
o vento ondula
e acompanha o vai vem
do corpo que dança.
O sussurro das folhas
o hálito da terra
a vida que entra quente
lenta
no meu corpo.


3.
Corro com os olhos a planície
deixo que o calor me amoleça
os braços
os olhos.
Doce cansaço da vida!
Tudo é dormente sob o sol.
Olho-te.
Segues os sons da terra
O corpo balança.
São sonolências
na lentidão do dia.


4.
Salto.
É irresistível o apelo.
O balanço sobe-me no corpo
os teus olhos riem.
Somos de novo crianças.
A tua mão segue o meu corpo
um frenesim solta-se
vai-se alentando
e apaga-se.
Numa exaustão quieta
adormecemos.


5.
O sol está alto
as ruas desertas. Os sons
arrastam-se graves.
Na cidade cálida, alguém
toca ainda
em louvor a nós
ao abraço que somos
à vida que seguramos
preservando a inocência e a ternura
que nos damos.


6.
O pensamento
foge-nos de novo
esparso entre a profusão de estímulos.
Cada um agarra as memórias
solta-as
para não morrerem.
Abro a janela e lanço-as
devolvo-as à terra onde sempre renascem
Tudo é cor.


7.
Adormeço no teu colo.
O mundo vai-se apagando.
O sol
queima os pensamentos.
O silêncio… o silêncio…
repousa-nos na voz
aquieta.
Na paz é latente o desejo.
A suspensão do mundo é uma dádiva,
quietude que dissipa no todo.
O ser está aí.


8.
Acordo e estás a meu lado.
A frescura da manhã sorri.
Saio.
Os meus passos tocam o caminho
e são leves
não ouso perturbar o ritual da manhã
chegando.
As figuras são mais soltas
dançam na transparência do dia noviço
cheio de promessas.


9.
Vozes distantes fazem a magnitude
do nosso silêncio.
Estar contigo na palavra essencial
estar apenas
entrar nos labirintos e perder-me sabiamente
nas coisas.
Tudo é nada além do encontro.
Somos por momentos
o que queremos e sabemos ser.
São fortes os encontros
e tão frágeis!


10.
Tudo é permitido então.
A vida é nossa
somos o mundo no momento da criação
tudo por dizer, construir, ser.
A luz faz-se no eterno recomeço.
Guardemos a leveza da alegria.



11.
Acorda!
O mundo vem aí
não estamos armados
somos apenas água que dissolve todas as angústias
purificamos o mundo que nos atravessa
unimos as terras
inundamos as coisas
com a força do nosso silêncio.

Porque só no silêncio somos.
Ninguém nos levará o que inevitavelmente é.
Amanhã é já hoje
e ainda ontem.
Fomos para sempre alguma coisa.